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Metas de leitura que sobrevivem a fevereiro

A maioria das metas anuais de leitura é definida na unidade errada e abandonada na primavera. Uma boa meta é a que um mês mau não destrói.

Todos os janeiros, muita gente se compromete com um número de livros. No final de fevereiro, uma boa parte já deixou discretamente de contar. A falha costuma estar no desenho da meta, não na disciplina de quem lê.

Livros são uma má unidade

Uma meta de cinquenta livros trata um romance de 900 páginas e uma coletânea de ensaios de 120 como a mesma conquista. Premeia escolher livros curtos e penaliza os ambiciosos, que é exatamente o contrário do que a maioria quer de um ano de leituras.

Páginas são mais justas. Tempo é ainda mais, porque sobrevive à mudança de formato: uma viagem com um audiolivro conta tanto como um capítulo à noite.

Define um mínimo, não um alvo

Alvos são tudo ou nada. Mínimos são resistentes. “Vinte minutos na maioria dos dias” é uma meta que podes falhar duas vezes por semana e continuar a ter; “um livro por semana” desmorona à primeira semana de trabalho intenso e, depois de desmoronar, não sobra nada a que voltar.

Uma meta que podes falhar na terça e manter na quarta é o único tipo de meta que dura um ano.

Dá forma ao ano

Se mesmo assim queres a contagem — e não há nada de errado em querê-la — segura-a com leveza e dá-lhe alguma estrutura:

  • Um tema, não uma lista. “Mais ficção traduzida” vale mais do que uma lista rígida de cinquenta títulos escolhida por uma versão de ti que não sabe como será outubro.
  • Um livro difícil por trimestre. Suficiente para esticar, não o bastante para bloquear o ano.
  • Autorização para reler. As releituras são a leitura mais fiável que vais fazer, e contam.
  • Uma regra explícita de desistência. Cinquenta páginas e depois decides. Escrita à partida, abandonar um livro deixa de parecer derrota.

Revê a meta a meio do ano

Uma meta definida em janeiro foi escrita por alguém com menos informação do que tu tens agora. Em junho, olha para o que aconteceu: que meses foram pesados, que formatos procuraste, que livros encalharam. Depois muda o número. Ajustar uma meta à realidade não é batota — é a única forma de o número continuar a ser útil.

Mede a coisa certa

No fim do ano, “li 42 livros” não te diz quase nada. “Li quase todos os dias, finalmente terminei a trilogia e tenho trinta notas que ainda subscrevo” diz-te como o ano foi de facto.

Define o número se ele te motivar. Só garante que aquilo que estás mesmo a acompanhar é a leitura em si — as sessões, as páginas, os pensamentos que tiveste pelo caminho.

Escrito por quem constrói a PlotShelf. Se tiveres uma dúvida ou uma sugestão, é sempre bem-vinda.

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